segunda-feira, 4 de junho de 2012

Carmen Miranda canta Arlindo Marques Júnior

Arlindo Marques Júnior


O compositor Arlindo Marques Júnior nasceu em 01 de agosto de 1913, no Rio de Janeiro.
Era também Jornalista e Revistógrafo, ou seja, escrevia peças de teatro de revista.
Arlindo faleceu em 04 de junho de 1968 também no Rio de Janeiro.
Em outra postagem falarei detalhes de sua vida e obra.


Hoje, trouxe Carmen Miranda interpretando seis músicas de sua autoria em parceria com Roberto Roberti.
Vejam a beleza das músicas e o talento de Carmen que, como sambista ou intérprete de marchas, era de uma sensibilidade incrível. Todas as músicas são merecem destaque, porém, chamo a atenção para Capelinha do Coração, um lindo samba que Carmen Miranda, mesmo com um animado repertório,  soube interpretar de forma bem sentimental, com um romantismo cativante. Os versos são um espetáculo à parte.


Já comentamos a delicadeza dessa música e o repertório romântico de Carmen em: 


Carmen Miranda



As músicas:

Discos Odeon
11.225 (Gravado em 29 de abril de 1935 e lançado em junho desse ano)
Esse foi o primeiro disco de Carmen Miranda gravado na Odeon.

A - Foi numa noite assim - Marcha de Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti
Orquestra Odeon sob a direção de Simon Bountman
Matriz 5027

B - Queixas de Colombina - samba de Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti
Conjunto Regional
Matriz 5029


11.319 (Gravado em 26 de dezembro de 1935 e lançado em fevereiro de 1936)

A - Nova Descoberta - Marcha de Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti
Orquestra Odeon sob a direção de Simon Bountman
Matriz 5222

B - Deixa esse povo falar - Samba de Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti
Grupo Odeon
Matriz 5227-1


11.344 (Gravado em 18 de março de 1936 e lançado em maio desse ano)

A - Não fui eu - Marcha de Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti
Orquestra Odeon
Matriz 5291

B - Capelinha do Coração - Samba de Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti
Benedito Lacerda e seu Conjunto Regional
Matriz 5294






Foi numa noite assim 





Foi numa noite assim
Cantaste só pra mim
Ao meu ouvido uma canção
Feita do verbo amar
E, por acreditar,
Perdi meu coração
E agora, em vão,
Procuro te esquecer
Para não mais sofrer
Da saudade, o sabor
Pois teu olhar transforma logo em chama
As cinzas quentes deste amor


Se por acaso
Eu escuto um violão
Juras de amor
Muito longe a murmurar
Sinto tristonha
A morrer a ilusão
E no peito
O coração chorar


Foi só a ti
Que eu amei sinceramente
Amo-te ainda
E pra sempre hei de te amar
Sinto ao lembrar
Teu amor, tão ardente
A minha alma triste
A soluçar.





Queixas de Colombina





Meu Pierrô
És a menina de meus olhos tristes
E minha dor
Chorar não posso
Pois de mim fugiste
Arlequim teve meus beijos
E febril paixão
Porém é teu
Somente teu
Meu pobre coração


Já não ouço mais
Os madrigais que tu cantavas
À luz do luar
Já não tenho
A minha vida iluminada
Pelo teu olhar
A tua voz
Só serve agora para soluçar
Teus olhos claros
Como a luz do sol
Já se apagaram
De tanto chorar


Toma o lenço
Enxuga este teu pranto
Olha pra mim sorrindo
Oh, meu Pierrô
E prende esse soluço na garganta
E vem cantar comigo
O nosso amor
Oh, meu Pierrô
O meu passado
Todo esquecerei
Só quero agora
Ter-te nos meus braços
Pra dar-te o beijo
Que nunca te dei





Nova Descoberta





Vocês não sabem que eu encontrei
Maria Rosa com o seu Cabral
Mesmo não sendo em abril
O seu Cabral descobriu
A célebre mulher fatal


O seu Cabral que já foi comandante
No tempo de Dom Manuel
E que já teve estrelas de Almirante
Só pode, agora, tê-las lá no céu


O seu Cabral tornou-se brasileiro
Não quis voltar pra Portugal
Mas, descobriu na terra do Cruzeiro
Maria Rosa, estrela tropical




Deixa esse povo falar





Balacobaco
Vamos sambar
Cai no fandango
E deixa esse povo falar


Deixa esse povo que fala
Sem ter razão
Está com raiva e com mágoa
Do meu cordão
Entra no samba, oi, rasgado
E a cidade inteira samba
Deixando o resto irritado


O povo fala
Porem não sabe o que diz
Mostra sem medo
Que és dono do seu nariz
Entra no samba, oi, rasgado
Pois no fangando ninguém sabe
Quem é solteiro ou casado




Não fui eu





Você foi falso
E não teve compaixão
E ainda disse
Que fui eu
Que quebrei seu violão
Você se esquece
Que com sua ingratidão
Também partiu o meu pobre coração


A melodia tão feliz do nosso amor
Morreu no último gemido
De um bordão
Porque o violão
Quebrou-se de dor
Ao ver nossa separação


Se o romance que vivemos se acabou
Tenha a certeza
Que culpada
Não fui eu
Porque foi você
Quem me desprezou
E o fim do romance escreveu




Capelinha do Coração





Já fechei a porta
Da Capelinha do meu coração
Onde a Esperança
Fazia sempre a sua oração
E não mais voltou
Para rezar
No velho Santuário
Porque já perdeu
As verdes contas do rosário


No altar pagão do meu desejo
Foi que eu provei
A hóstia do teu beijo
Teu olhar foi minha devoção
E o teu amor, pra mim, religião
Mas na Capelinha
Templo de felicidade
A Santa mais venerada
É a sagrada imagem da Saudade


E a alegria nunca mais voltou
Somente a nostalgia lá ficou
O silêncio tudo emudeceu
Porém, alguém lá dentro
Se escondeu
Mas na Capelinha
Catedral de singeleza
Todo dia ao por do sol
Tange baixinho o sino da tristeza








Agradecimento ao Arquivo Nirez






Um comentário:

  1. muot bom! Adoro Carmem Miranda e descobri ótimas músicas compostas por Arlindo Marques Júnior.
    Abraços!

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