sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

LUNDU DA MARREQUINHA - DE PAULA BRITO, SÉCULO XIX

PAULA BRITO
omenelicksegundoato.blogspot.com.br



Há 156 anos falecia o poeta PAULA BRITO.

Francisco de Paula Brito nasceu no Rio de Janeiro em 02 de dezembro de 1809, na então Rua do Piolho (hoje Rua da Carioca), no Centro da cidade; falecendo nessa mesma cidade, em 15 de dezembro de 1861, em sua residência, no Campo de Sant´Anna, nº25. Seu cortejo fúnebre foi um dos mais concorridos da Corte, pois era um homem muito popular entre os intelectuais, músicos e artistas. Está sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier.

Era também letrista, livreiro, tipógrafo e jornalista.

Era filho do carpinteiro Jacinto Antunes Duarte e de Maria Joaquina da Conceição Brito. Chegou a ser aprendiz de tipógrafo na Tipografia Nacional, depois se empregando no Jornal do Commercio, onde foi diretor das prensas, redator, tradutor e contista. Em 1830, casou-se com Rufina Rodrigues da Costa. No ano seguinte, abriu um estabelecimento tipográfico em loja de papel, cera e chá, no Largo do Rossio (atual Praça Tiradentes). Seu estabelecimento, além de editar livros, era o ponto de encontro dos intelectuais e músicos modinheiros da época.

Ele sugeriu que os integrantes dessas reuniões criassem uma sociedade (com estatuto e tudo), a Sociedade Petalógica do Rossio Grande, uma entidade em que o humor e poesia reinavam, com muita música.

Paula Brito foi autor da letra do famoso Lundu da Marrequinha, que recebeu a melodia do autor do Hino Nacional Brasileiro, o compositor Francisco Manuel da Silva. Foi um lundu muito tocado em sua época, sendo conhecido e interpretado até os dias de hoje. Compondo outras músicas, como o lundu Ponto Final, com música de José Joaquim Goiano, Paula Brito era anfitrião de memoráveis encontros entre músicos e poetas letrados, tendo contribuído com a propagação dos primeiros gêneros musicais brasileiros, a modinha e o lundu.


Trago o Lundu da Marrequinha com sua letra e em várias interpretações.
Obs. A letra aqui apresentada foi tirada do livro O Trovador, volume 01, de 1876. Nele, há uma diferença nos versos em relação à gravações feitas no final do século XX.

Obs2. Segundo o canal do YouTube, A Música do Brasil, Marrequinha seria  um tipo de laço dado no vestido das moças, no séc. XIX, usado atrás das nádegas", possivelmente sobre a anquinha (acessório que dava volume aos quadris).




O TROVADOR, 1876.
archive.org


O TROVADOR, 1876.
archive.org




Lundu da Marrequinha, pelo grupo Lira d´Orfeo.




Lundu da Marrequinha, por Anna Maria Kieffer.





Lundu da Marrequinha, por Luiza Sawaia e Acchille Picchi.





















quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

HOMERO DORNELAS - 116 ANOS

HOMERO DORNELAS
cifrantiga3.blogspot.com.br



Há 116 anos nascia o compositor, pianista, violoncelista e professor HOMERO DORNELAS.

Homero Dornelas nasceu no Rio de Janeiro em 14 de dezembro de 1901, falecendo nessa mesma cidade em 28 de dezembro de 1990. Era filho do maestro Sofonias Dornelas e, dos sete aos quatorze anos, estudou piano e teoria musical com o pai e uma tia. Aos quinze anos de idade, ingressou no Instituto Nacional de Música, estudando teoria, solfejo e física acústica com Frederico Nascimento. No início da década de 1920, resolveu deixar o estudo de piano para se dedicar ao violoncelo, sendo orientado por Eurico Costa. Foi ainda professor de canto orfeônico e teoria musical do Colégio Pedro II até 1972. Entre seus pseudônimos estavam, Candoca da Anunciação, Romeoh Sallendor, Sallendor Filho e My Self.

Na década de 1920 tocava nas ate-salas de cinemas, acompanhando filmes mudos, em teatros, restaurantes e circos. Começou a compor sambas em 1926, compondo também marchinhas e foxes. Também trabalhou como revisor e arranjador da Casa Vieira Machado, editora de partituras de músicas carnavalescas. Por essa época, adotou o pseudônimo de Candoca da Anunciação, com o qual se consagrou pelo lançamento do samba Na Pavuna, de 1930, ao lado de Almirante, que o gravou. A gravação do samba trazia o ineditismo de um grupo de ritmistas fazendo uma batucada.

Outra história curiosa o liga ao samba de Noel Rosa, Com Que Roupa?. No fim de 1929, Noel o procurou para escrever a partitura do samba. Homero notou que, ao tocar as notas iniciais, os compassos eram o mesmo do Hino Nacional, sugerindo a mudança de algumas notas, no que foi atendido. Dessa forma, ele foi o responsável pela forma final do famoso samba de Noel Rosa.

Teve algumas de suas composições gravadas por Jesy Barbosa, Jorge Fernandes, Jayme Vogeler , Sylvio Salema e Augusto Calheiros. Em meados da década de 1930, convidado por Villa-Lobos, integrou o SEMA (Superintendência de Ensino Musical e Artístico), ficando até 1959.


Através de concurso, entrou para a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde pediu licença em 1941, para ingressar na Sinfônica Brasileira, convidado por Eugen Szenkar. Nesse ano ainda foi contratado pela Rádio Nacional, onde trabalhou até meados da década de 1960. Publicou o catálogo Orquestras de desfile, que dá a relação de todos os músicos que integraram diversos conjuntos atuantes no Rio de Janeiro de 1894 a 1974. Na década de 1960, gravou um histórico depoimento para o Museu da Imagem e do Som (MIS).

Trazemos algumas composições de sua autoria.



NA PAVUNA
Choro de Rua no Carnaval
Em parceria com Almirante
Gravado por Almirante
Acompanhamento do Bando de Tangarás
Disco Parlophon 13.089-A, matriz 3179



MINHA DEVOÇÃO
Samba
Gravado por Elpídio L. Dias (Bilu)
Acompanhamento da Orquestra Brunswick
Disco Brunswick 10.035-A, matriz 254
Lançado em março de 1930



TOCA A BUZINA
Marcha
Gravada por Augusto Calheiros
Acompanhamento de Simão Nacional Orquestra
Disco Parlophon 13.130-A, matriz 3385
Gravado em 1930 e lançado em abril



VIOLA
Canção
Gravada por Jorge Fernandes
Acompanhamento do Grupo dos Marajoaras
Disco Odeon 10.701-A, matriz 3902
Lançado em novembro de 1930



BATUQUE NO SALGUEIRO
Batuque
Gravado por Jorge Fernandes
Acompanhamento do Grupo dos Marajoaras
Disco Odeon 10.701-B, matriz 3903
Lançado em novembro de 1930



HINO AO CARDEAL D. LEME
Hino
Em parceria com Lieda Cristina
Gravado por Sílvio Salema
Acompanhamento de Conjunto Sacro
Disco Parlophon 13.305-B, matriz 131136
Lançado em 1931



MADUREIRA
Samba da Central
Gravado por Almirante e o Bando de Tangarás
Acompanhamento da Orquestra Guanabara
Disco Parlophon 13.274-A, matriz T-57 131056
Lançado em janeiro de 1931



POR CONTA DO AMOR
Marcha
Gravada por Jayme Vogeler e Jota Soares
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.877-A, matriz 4372
Gravado em 26 de novembro de 1931 e lançado em 1932



ILUSÃO DE AMOR
Tango Canção
Em parceria com Bastos Carvalho
Gravado por Jesy Barbosa
Acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira, sob a direção de João Martins
Disco Victor 33.707-A, matriz 65453-2
Gravado em 13 de abril de 1932 e lançado em outubro de 1933







Agradecimento ao Arquivo Nirez





Fontes:
dicionariompb.com.br
cifrantiga3.blogspot.com.br













terça-feira, 12 de dezembro de 2017

COCO DE PAGÚ - UMA HOMENAGEM À PAGÚ (PATRÍCIA GALVÃO)

PAGÚ
(PATRÍCIA GALVÃO)
acervofolha.blogfolha.uol.com.br



Há 55 anos falecia a escritora e militante política PAGÚ, Patrícia Galvão.

Patrícia Rehder Galvão nasceu em São João da Boa Vista (SP), em 09 de junho de 1910, sendo também romancista, tradutora, jornalista e ilustradora.

Mesmo não tendo participado do Movimento Modernista de 1922, Patrícia era muito amiga de seus integrantes, sendo considerada sua musa. Seu apelido Pagu foi dado pelo poeta modernista Raul Bopp que, por engano, achava que seu sobrenome fosse Goulart (pronuncia-se Gular), procurando juntar as primeiras sílabas do nome Pa e Gu. Porém, o apelido pegou e Raul fez um poema para ela, Coco de Pagú, em 1928, que seria gravado como toada por Laura Suarez em finz de 1929.


PAGÚ
http://ujs.org.br


PAGÚ
agenciabrasil.ebc.com.br


Aos dezoito anos, a moça que frequentava a casa casal de amigos Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade, teve alguns de seus desenhos publicados na Revista de Antropofagia. Nessa época, também, viu-se em um escândalo se envolver com Oswald de Andrade, com quem se casou em 1930, tendo o filho Rudá.

Em 1931, Pagú filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), dando início à sua militância, chegando a ser presa algumas vezes. Participando da Intentona Comunista de 1935, durante o governo de Getúlio Vargas, foi presa e torturada, ficando detida por quatro anos e meio. Chegou a ir para a Europa, onde foi recebia por sua amiga a cantora Elsie Houston.

Sendo expulsa do PCB, Pagu retomou sua vida e se casou pela segunda vez, em 1940, com Geraldo Ferraz, sendo mãe de Geraldo Galvão Ferraz (Kiko). Passou a escrever colunas literárias em jornais.


PAGÚ
http://www.elfikurten.com.br


Por duas vezes tentou o suicídio. Uma em 1949 e outra em 1962, quando foi diagnosticada com um câncer de pulmão. Porém, seria a doença que tiraria sua vida em 12 de dezembro de 1962, na cidade de Santos (SP).

Em 1988, Norma Benguell dirigiu o filme Eternamente Pagu, sobre a vida de Patrícia Galvão. Foi protagonizado por Carla Camurati (Pagú), Antônio Fagundes (Oswald de Andrade) e Esther Góes (Tarsila do Amaral). O elenco contava ainda com Otávio Augusto vivendo Geraldo Ferraz e a própria Norma Benguell interpretando Elsie Houston. Foi o primeiro filme dirigido por Norma Benguell.

Para homenageá-la, trago Laura Suarez interpretando o poema de Raul Bopp, Coco de Pagú, no ritmo de toada. Em correspondência com o pesquisador e tradutor francês Antoine Chareyre, ficamos sabendo que Bopp mudou algumas vezes seu texto até chegar à versão definitiva. De acordo com Chareyre, Laura gravou o texto de Bopp de acordo como saiu, pela primeira vez, na revista Para Todos, em 1928, onde Di Cavalcanti fez um desenho de Pagú ao violão.


Letra de Coco de Pagú na revista Para Todos, com o desenho de Di Cavalcanti,
27 de outubro de 1928, p.24.
http://memoria.bn.br


Copiamos a letra de ouvido, segunda a gravação de Laura Suarez.




COCO DE PAGÚ
Toada com letra de Raul Bopp
Gravado por Laura Suarez
Acompanhamento de violões
Disco Brunswick 10.015-B, matriz 121
Lançado em janeiro de 1930



Coco de Pagú
Pagu tem uns olhos mole
Olhos de não sei o que
Se a gente está perto dele
A alma começa a doê


Ê Pagú, Ê
Dói porque é bom de fazer doer

Ai, Pagú, Pagú,

Não sei o que você tem
A gente, queira ou não queira
Fica lhe querendo bem


Você tem corpo de cobra
Onduladinho e indolente
Dum veneninho gostoso
Que dói na boca da gente


Eu quero você pra mim
Não sei se você me quer
Se quiser ir pra bem longe
Vou pra onde você quiser


Mas, se quiser ficar perto
Bem pertozinho daqui
Então, você pode vir
Ai, tiri tiri tiri












Agradecimento a Antoine Chareyre e ao Arquivo Nirez











segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

NOEL ROSA - 107 ANOS

NOEL ROSA
www.ebiografia.com



Há 107 anos nascia o compositor, cantor e violonista NOEL ROSA, O Poeta da Vila.


Noel de Medeiros Rosa nasceu no Rio de Janeiro, no bairro de Vila Isabel, em 11 de dezembro de 1910, vindo a falecer nessa mesma cidade e bairro, em 04 de maio de 1937, com apenas 26 anos, vitimado pela tuberculose.

Iniciou sua carreira artística no final dos anos 20, fazendo parte do conjunto Bando de Tangarás, ao lado dos amigos Almirante, João de Barro (Braguinha), Alvinho e Henrique Brito. Em 1929, gravou suas primeiras composições, Festa no Céu e Minha Viola.

Noel Rosa foi um dos maiores compositores de nossa música popular, compondo clássicos como Último Desejo e Provei, interpretados respectivamente por suas amigas Aracy de Almeida e Marília Batista, consideradas suas melhores intérpretes.

Com uma vida intensa e boêmia, Noel Rosa adquiriu tuberculose, mas não deixou de compor ou frequentar as rodas de amigos. Foi casado com d. Laurinda, não tendo filhos. Mesmo comprometido não deixava de ter suas musas, homenageadas em suas composições.

Já trouxemos Noel Rosa em várias ocasiões:

Noel Rosa – 80 anos de saudade: http://bit.ly/noelrosa80

Noel Rosa – 104 anos: http://bit.ly/noelrosa104

Noel, por ele mesmo: http://bit.ly/noelrosacantando

Noel Rosa – 75 anos de saudade: http://bit.ly/noelrosa75

Hoje, trazemos Francisco Alves e Mário Reis que, em dupla ou individualmente, gravaram várias músicas de Noel Rosa.




É PRECISO DISCUTIR
Samba
Gravado por Francisco Alves e Mário Reis
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.905-A, matriz 4374
Gravado em 28 de novembro de 1931 e lançado em 1932



NUVEM QUE PASSOU
Samba
Gravado por Francisco Alves
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 19.927-B, matriz 4471
Gravado em 02 de julho de 1932 e lançado nesse mesmo ano



MULATO BAMBA
Samba Canção
Gravado por Mário Reis
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.928-B, matriz 4480
Gravado em 07 de julho de 1932 e lançado nesse mesmo ano



ESTAMOS ESPERANDO
Samba
Gravado por Francisco Alves e Mário Reis
Acompanhamento de Gente Boa
Disco Odeon 10.956-A, matriz 4535
Gravado em 17 de novembro de 1932 e lançado em janeiro e fevereiro de 1933



TUDO QUE VOCÊ DIZ
Samba
Gravado por Francisco Alves e Mário Reis
Acompanhamento de Gente Boa
Disco Odeon 10.956-B, matriz 4554
Gravado em 19 de dezembro de 1932 e lançado em janeiro e fevereiro de 1933

   

FITA AMARELA
Samba
Gravado por Francisco Alves e Mário Reis
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 10.961-B, matriz 4569-9
Gravado em 29 de dezembro de 1932 e lançado em janeiro e fevereiro de 1933



PRA ESQUECER
Samba Canção
Gravado por Francisco Alves
Acompanhamento da Turma da Vila
Disco Odeon 11.017-B, matriz 4613
Gravado em 23 de março de 1933 e lançado em maio e junho



QUANDO O SAMBA ACABOU
Samba
Gravado por Mário Reis
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 11.003-A, matriz 4639
Gravado em 11 de abril de 1933 e lançado em maio



CAPRICHO DE RAPAZ SOLTEIRO
Samba
Gravado por Mário Reis
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 11.003-B, matriz 4652
Gravado em 24 de abril de 1933 e lançado em maio



MEU BARRACÃO
Samba
Gravado por Mário Reis
Acompanhamento de Romualdo Peixoto (Nonô) ao piano
Disco Columbia 22.242-B, matriz 381533
Lançado em 1934







Agradecimento ao Arquivo Nirez











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